Foto: Florent Lamoureux (CC BY-NC-ND 2.0) Jerusalém

Jerusalém é um destino único! Cidade sagrada para três religiões, ela mistura história, turismo religioso e pontos turísticos interessantes. Por isso, intriga e também encanta tantos turistas, mesmo os que não chegam com intenções religiosas.

Conhecer Jerusalém é mergulhar em um universo de tradições, histórias e tribulações. Uma das cidades mais antigas do mundo; foi motivo de batalhas, conquistas e reconquistas; foi dominada por diferentes povos; chegou a ser destruída e reconstruída duas vezes e até hoje está envolvida em disputas e polêmicas. Assim, é impossível falar de Jerusalém sem envolver religião e política.

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Cidade Sagrada

Jerusalém é uma cidade sagrada para três religiões: cristianismo, judaísmo e islamismo. É muito interessante observar como uma única cidade, ou melhor, apenas um pedaço dela, que é a Cidade Velha, possui tanta importância para três religiões diferentes; que aliás, não são assim tão diferentes, já que possuem a mesma origem, que vem da Torá, o Pentateuco da Bíblia.

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Velas na Basílica do Santo Sepulcro – Foto: Augusto Gomes (CC BY-NC 2.0)

Como o Brasil é um país majoritariamente cristão, as pessoas conhecem mais a importância da cidade para o cristianismo, já que Jesus passou importantes momentos de sua vida em Jerusalém, inclusive foi onde ele morreu e ressuscitou. Entretanto, a cidade também possui grande importância para judeus e muçulmanos. O Muro das Lamentações é o local mais sagrado para os judeus. O lugar, que era um muro de sustentação do Segundo Templo, é hoje um local de constantes preces dos judeus. Acima do muro existe um lugar chamado de Monte do Templo pelos judeus e Esplanadas das Mesquitas pelos muçulmanos. O local onde ficava o Segundo Templo, “reconstrução” do Templo de Salomão, foi destruído pelos romanos em 70 d.C. No século VII, foi construída uma mesquita no mesmo lugar onde estava o templo. A Cúpula da Rocha, que é famosa mesquita com a cúpula dourada, é o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos, pois, segundo a tradição islâmica, foi onde o profeta Maomé subiu aos céus.

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Cúpula da Rocha – Foto: Aaron Brown (CC BY-NC 2.0)

Política – Judeus x Palestinos

Israel está envolvido em polêmicas, desde sua fundação após a Segunda Guerra Mundial. Os países árabes ao redor não aceitaram a divisão do território entre judeus e palestinos e ocorreram várias guerras. Em cada uma delas, Israel avançava mais sobre o território Palestino. Atualmente, os palestinos possuem apenas uma pequena porção dos territórios que a ONU lhes asseguraram na divisão de 1947.

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Foto: niki georgiev (CC BY 2.0)

Jerusalém é o episódio mais visível dessa disputa. A cidade, que ambos os lados querem como capital, foi dividida pela ONU em duas partes. A parte histórica, inclusive, ficava no lado Palestino. Porém, em 1967, após a Guerra dos Seis Dias, Israel invadiu Jerusalém Oriental e passou a ter domínio de toda a cidade.

O problema não parou por aí, pois assentamentos judeus foram e continuam sendo construídos nos bairros palestinos de Jerusalém. Isso gera revolta na população árabe, desencadeando grupos extremistas e violência.

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Visita a Belém (Palestina)

Algumas das cidades mais importantes do turismo religioso: Belém e Jericó se encontram no lado Palestino, chamado de Cisjordânia. Belém por exemplo, está a apenas 10 km de Jerusalém. Porém, como está na parte administrada pela Palestina, você terá que passar por alguns procedimentos para chegar até lá! É preciso levar passaporte e passar por check point montados pelo exército de Israel. Os ônibus públicos que levam até lá são dos muçulmanos, por isso menos confortáveis que os israelenses. Visitar por conta própria não é difícil, mas muita gente fica inseguro e decidi visitar em excursão. Há excursão de um dia saindo de Jerusalém que vai à Belém, Jericó e Rio Jordão, que pode ser uma boa opção para ganhar tempo!

Habitantes de Jerusalém

Talvez um dos fatores que podem deixar o clima tenso na cidade é justamente seus próprios habitantes. A cidade é reduto de fundamentalistas religiosos de ambos os lados. Os judeus ortodoxos e ultra-ortodoxos são uma boa parte da população de Jerusalém. Esses judeus que usam aquelas roupas típicas, com cachinhos e chapéu preto, possuem suas próprias escolas e só reconhecem a eles próprios como judeus.

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Judeus Ortodoxos – Foto: U.S. Embassy Jerusalem (CC BY-SA 2.0)

Do lado dos muçulmanos também existem os mais fanáticos, que não aceitam a existência do Estado de Israel. Se a população de Jerusalém fosse igual a de Haifa, com certeza o clima da cidade seria outro! Para saber mais leia: Haifa, a cidade da tolerância e dos famosos jardins de Israel.

Clima de disputa, realidade de paz

Apesar do clima ser um pouco tenso, a normalidade toma conta da cidade. Talvez para um turista seja um pouco estranho ver tantas pessoas armadas pelas ruas. Jerusalém é a cidade de Israel em que você mais verá pessoas do exército e da polícia nas ruas. Como o serviço militar é obrigatório, três anos para homens e dois para mulheres, você verá muitos jovens andando pelas ruas com grandes armas. Além disso, para entrar em qualquer lugar se passa por aparelhos de raio x. Porém, a população já está acostumada com essas medidas de segurança e isso faz parte do cotidiano deles. Além do mais, ataques terroristas são muito raros na cidade.

Soldado patrulhando a Cidade Velha de Jerusalém – Foto: Kristoffer Trolle (CC BY 2.0)

Cidade Velha

O coração de Jerusalém é o seu centro histórico chamado de Cidade Velha. Essa parte da cidade é cercada por uma grande muralha, construída há séculos para protegê-la de invasões. Por isso, para entrar na Cidade Velha é preciso atravessar um de seus portões. O mais bonito deles é o Portão Damasco, que fica na parte árabe.

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Portão de Damasco

A Cidade Velha é dividida em quatro bairros: cristão, armênio, muçulmano e judeu. Entretanto, caminhando pelas ruas, você nem perceberá que saiu de um bairro e entrou em outro, a não ser pelo simples fato do bairro muçulmano ser muito mais cheio e o judeu mais bonito e conservado.

A grande maioria das ruas da Cidade Velha são estreitas e de trânsito exclusivo de pedestres; o que torna caminhar pelas ruas mais prazeroso, mas também difícil, já que ficar perdido é algo que pode acontecer.

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Cidade Velha – Foto: Terrazzo (CC BY 2.0)

Na Cidade Velha localizam-se as principais atrações de Jerusalém: a Via Dolorosa, a Basílica do Santo Sepulcro, o Muro das Lamentações e o Domo da Rocha. Esse último é o símbolo da Cidade Velha, a grande cúpula dourada é o que dá o charme às fotografias do local. Inclusive, do Monte das Oliveiras se tem uma ótima vista de toda a Cidade Velha, especialmente do Domo da Rocha.

Outras atrações

Jerusalém não se restringe ao seu centro histórico, pois a cidade possui outras atrações. Provavelmente, a principal delas seja o Museu de Israel. O maior e mais importante museu do país possui três temáticas: arqueologia, arte e vida judaica e belas artes. O grande museu, que possui várias galerias, impressiona pela qualidade e quantidade de acervo. Para saber mais leia: Museu de Israel, uma atração sensacional de Jerusalém.

Museu de Israel

Outra atração da cidade é o Monte das Oliveiras. Além de ser um ótimo mirante para a Cidade Velha, a bela Igreja de Todas as Nações está localizada nele. Já no centro da cidade existe o Mercado de Mahane Yehuda, um bom lugar para comprar produtos típicos, inclusive saborear a gastronomia local. Voltando a falar de museus, Jerusalém possui ainda o Museu do Holocausto, um memorial às vítimas judaicas da Segunda Guerra. Para saber mais leia: O que fazer em Jerusalém, veja as principais atrações turísticas.

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Foto de capa: Florent Lamoureux (CC BY-NC-ND 2.0)

Felipe Zig

Felipe Zig é jornalista, fotógrafo e apaixonado por viajar. Depois de conhecer mais de 20 países, decidiu criar o blog “Abrace o Mundo” para dar dicas de viagens e incentivar outras pessoas a viajar.

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