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Foto: Jorge Láscar (CC BY 2.0) Israel / Jordânia

Atravessar uma fronteira por terra sempre causa aquela insegurança. Se essa fronteira for de Israel então, muita gente acredita que não seja possível, já que o país de maioria judeu é rodeado por países árabes. Entretanto, Israel possui uma boa relação diplomática com alguns vizinhos. O país possui postos de fronteiras com a Jordânia e com o Egito e esses postos podem, inclusive, ser utilizados por turistas.

Por isso, se você estiver em Israel, saiba que é muito fácil visitar a Jordânia ou vice-versa. A forma mais comum de chegar ao país é por terra.

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Fronteiras

Israel e Jordânia possuem três postos de fronteiras terrestres: uma no extremo norte, outra no extremo sul e uma na região central, porém mais ao norte. Mas, isso não quer dizer que você terá três opções para atravessar a fronteira e eu lhe direi o porquê.

Fronteira Ponte Allenby/Rei Hussein -Foto: Dennis S. Hurd (CC BY-NC-ND 2.0)

Ponte Allenby/Rei Hussein

Essa é a segunda fronteira mais antiga entre Israel e Jordânia. Localizada na região central é a mais próxima tanto de Jerusalém 40 km, quanto da capital da Jordânia Amã, 57 km. Essa seria a melhor opção para quem tem intenção de ir à Amã, entretanto essa é a fronteira mais complicada para se atravessar. Já que ela fica na Palestina, a Jordânia coloca mais empecilhos para o tráfego de turistas. Nessa fronteira não é possível tirar o visto da Jordânia, ou seja, para entrar por ela você precisa já ter tirado o visto da Jordânia com antecedência. O que quase nenhum turista faz, já que é mais trabalhoso e caro. Além disso, nesta fronteira é onde há o controle mais rígido por parte da polícia/exército israelense.

Para saber mais acesse a página do lado israelense e do lado jordaniano.

Rio Jordão/Sheikh Hussein – Fronteira Norte

Essa é a fronteira mais antiga, na parte norte, ideal para quem pretende visitar Amã e Jerash na Jordânia, já que a fronteira sul fica a 340 km de Amã. A fronteira do Rio Jordão está a 135 km de Jerusalém e a 90 km de Amã. Entrei na Jordânia por essa fronteira e foi uma aventura e tanto!

Essa fronteira é mais utilizada por árabes do que por turistas ocidentais e seu maior problema é o transporte público, tanto do lado de Israel quanto da Jordânia. Essa fronteira não possui muito fluxo de pessoas, mas também não tivemos, nem visualizamos nenhum problema para entrar ou conseguir o visto por lá. Inclusive, não precisamos pagar o visto no valor de 40 JD / US$ 56, já que tínhamos o Jordan Pass. Para saber mais leia: Jordan Pass, a dica para economizar na viagem à Jordânia.

Essa fronteira fica próxima da cidade israelense de Bet Sheam. Como estávamos em Haifa, fomos de trem até Bet Sheam; a viagem durou 50 minutos e custou $20 NIS. De trem é mais prático, pois existem partidas a cada hora, mas também há a opção de ir de ônibus.

A estação de trem fica longe da cidade e é preciso pegar um ônibus para chegar à “rodoviária” da cidade. É um longo trajeto e dura entre 20 e 30 minutos, o ônibus custa $2,50 NIS. O problema é que o que eles chamam de rodoviária é na verdade dois pontos de ônibus um em cada lado de uma rua em um lugar meio isolado, que mais parecia um fim de mundo. Havia lido em algum fórum na internet que era possível ir de ônibus até a fronteira, entretanto, quando cheguei, perguntei a algumas pessoas e ninguém sabia dar informação de qual ônibus pegar. Além disso, não havia táxi no local.

Depois de muito perguntar, descobrimos que o ônibus 16 iria até próximo da fronteira. Depois disso, apareceu um táxi e disse que cobrava $50 NIS para nos levar até a fronteira. Ficamos na dúvida e como logo depois passou o ônibus decidimos pegá-lo. O motorista do ônibus havia nos falado que não iria até a fronteira, mas passava próximo. Entretanto, no meio do caminho ele disse que não iria tão perto assim, seria necessário caminhar um pouco. Descemos no meio da estrada e tivemos que andar bastante com as mochilas nas costas até chegar na fronteira. O pior é que não tínhamos a mínima ideia da distância que teríamos que percorrer, a cada curva da estrada achávamos que estávamos chegando, mas não estávamos. Pedimos carona na estrada, mas ninguém parou. Uma hora passou uma pick up, pedimos carona, quando chegou próximo era do exército. Ela passou direto fez o retorno e voltou, nessa hora que pensei “agora que prendem a gente”. Mas, ela passou direto.

Caminhada até a frotneira

Por fim, andamos cerca de 2 km e chegamos na fronteira. O taxista que nos ofereceu a corrida estava lá e ainda tirou onda com a nossa cara, perguntando se “a caminhada foi boa?”, ai eu disse que “foi ótima”. No final das contas eu digo que deu um pouco de medo, foi cansativo, mas não deixa de ser uma experiência muito legal.

Agora, voltando a falar de fluxo de turistas, em Israel não existe taxa de entrada no país, porém há taxa de saída, custa $100 NIS, mais $5 NIS de taxa administrativa. Ainda em Israel é preciso pegar um ônibus que faz a travessia entre os dois países. O ônibus anda só uns 400 metros e custa $5 NIS. É bom ter o dinheiro trocado. Nós pagamos com uma nota de $50 NIS e ele nos devolveu em dinar jordaniano com uma péssima cotação.

Já do lado da Jordânia, é preciso pegar um táxi para chegar em Amã ou em qualquer outra cidade, pois não há transporte público. O táxi é caro, custa $40 JD.

Para saber sobre essa fronteira acesse a página do lado israelense e do lado jordaniano.

Foto: Benjamin (CC BY-NC-ND 2.0)

Yitzhak Rabin / Araba – Fronteira Sul

Essa é a principal fronteira entre os dois países, onde existe o maior fluxo de pessoas e onde a maior parte dos turistas estrangeiros atravessa. Atravessei essa fronteira no sentido inverso (Jordânia – Israel), essa fronteira é muito mais bonita e estruturada que a fronteira norte. A principal vantagem dessa fronteira é que não precisa pagar para entrar na Jordânia, desde que você fique pelo menos três noites (quatro dias) no país. Entretanto, é necessário pagar para sair do país $8 JD (US$13).

Yitzhak Rabin / Araba – Fronteira Sul – Foto: Chris Yunker (CC BY 2.0)

Yitzhak Rabin / Araba – Fronteira Sul – Foto: Jorge Láscar (CC BY 2.0)

Outra vantagem dessa fronteira é que ela está próxima a duas cidades: Eliat (Israel) e Aqba (Jordânia), por isso o deslocamento até a fronteira é mais barato. Pagamos 7 JD de Aqba até a fronteira.

Um dado importante é saber que essa fronteira fecha no Ano Novo Islâmico e no Yom Kippur. Ao contrário da Fronteira Norte que funciona todos os dias do ano.

Informações sobre a fronteira sempre podem mudar, por isso recomendo antes de viajar ler diretamente no site dos governos. Israel tem uma página para cada fronteira, para ver a do Yitzhak Rabin clique aqui. Já a Jordânia possui em uma só página a informação de todas as fronteiras. Para acessar clique aqui.

Avião

Existe também a possibilidade de fazer essa viagem de avião, porém é uma opção muito mais cara e os aeroportos ficam longe das principais atrações de cada país. O aeroporto internacional de Israel fica em Tel Aviv, a 55 km de Jerusalém. Já na Jordânia, o aeroporto fica na capital Amã, a 235 km de Petra. O voo entre essas duas cidades é curto, dura apenas 45 minutos, porém apenas uma companhia aérea faz o trajeto direito, a Royal Jordanian e a passagem custa cerca de US$300 cada trecho. Por isso, a maioria das pessoas opta em fazer essa viagem por terra.

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Foto de capa: Jorge Láscar (CC BY 2.0)

Felipe Zig

Felipe Zig é jornalista, fotógrafo e apaixonado por viajar. Depois de conhecer mais de 20 países, decidiu criar o blog “Abrace o Mundo” para dar dicas de viagens e incentivar outras pessoas a viajar.