Mercado Central, ótimo lugar de compras em Belo Horizonte Belo Horizonte

O Mercado Central é o mercado mais tradicional de Belo Horizonte. Fundando em 1929, como forma de abastecimento de alimentos da cidade, ele já passou por diversas fases e é hoje local de encontrar vários produtos, principalmente produtos tradicionais mineiros. Eu como um bom mineiro sempre frequentei e comprei no Mercado. Mas, fiz uma visita especial e algumas entrevistas para contar um pouco melhor como funciona esse eclético mercado.

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Foto: Arquivo Mercado Central

História

O Mercado Municipal foi fundado pela Prefeitura de Belo Horizonte em 1929. Naquela época havia duas importantes feiras que foram juntadas para formar o novo mercado. No começo o mercado tinha uma estrutura bem simples, com barracas de madeiras, chão de terra e era descoberto. Em 1964 a prefeitura resolveu vender o mercado, alegando impossibilidade de administrá-lo. A venda se daria através de leilão e quem ganhasse, precisaria construir as paredes e a cobertura do local. Os comerciantes criaram uma cooperativa para participar do leilão. Fato curioso é que no dia do leilão, os comerciantes bloquearam a entrada do local, impedindo os outros investidores de entrarem no local. Com a impossibilidade de investidores paulistas e cariocas participarem, a cooperativa dos comerciantes fez proposta única e venceu. O prazo para construir as paredes e a cobertura do mercado era de 5 anos. Devido a falta de dinheiro as obras começaram apenas em 1969, com a ajuda financeira de um banqueiro mineiro. E para dar conta de terminar no prazo, foi necessário contratar quatro construtoras, uma para construir cada parede externa. A cerâmica quadrada das paredes foi escolhida justamente por ser a mais rápida de montar. Com o esforço, eles conseguiram concluir a obra externa a tempo.

Nessa época a parte interna do mercado continuava a mesma, barracas de madeira e chão de terra. As reformas para modernizar a parte interna levaram mais de uma década. E apenas na década de 1980 foi finalizada com lojas de alvenaria, piso acimentado e estacionamento.

Na década de 1980 foi quando o mercado teve sua maior transformação. Em 1974 foi inaugurado o Ceasa Minas, Central de Abastecimento da Grande BH. O local muito maior que o Mercado Central e com maior oferta de produtos agrários, fez diminuir a venda de muitos comerciantes, principalmente, os que vendiam frutas, hortaliças e verduras. Posteriormente, a difusão de supermercados pela cidade, fez cair as vendas dos inúmeros mercadinhos que existiam no Mercado Central. Por isso muitos comerciantes precisaram se adaptar, muitos deles mudando o ramo da atividade.

doces

Mercado Atual

Hoje o Mercado Central conta com mais de 400 lojas que vendem de tudo: frutas, carnes, temperos, doces, queijos, artesanato, panelas, cachaças, etc. Há desde barracas mais simples que vendem frutas da mesma forma a décadas a lojas mais sofisticadas que vendem carnes especiais. A falta de higiene que via quando era criança, já não existe mais. Hoje os comerciantes seguem as normas de higiene e mantém suas lojas limpinhas. Os preços também mudaram, o mercado que já foi um lugar de comprar barato, agora é um lugar de achar bons produtos, que algumas vezes têm o preço um pouco acima da média. Os comerciantes gostam de frisar que a qualidade dos seus produtos é superior, por isso se justifica o preço mais alto.

Segundo a assessora de eventos do Mercado Central, Cláudia Neris, o público diário que frequenta o mercado é entre 40 e 50 mil pessoas. Nos finais de semana o fluxo aumenta, podendo chegar a 80 mil. A média mensal é de 1,2 milhão de clientes. Para dar conta de atender todo esse público há três mil funcionários, distribuídos pelas lojas, seguranças e limpeza.

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O que mais vende no mercado central?

O que é mais vendido no mercado são produtos de laticínios, ou seja, queijo e derivados. São 48 lojas desse ramo e há um corredor que se concentra boa parte dessas lojas. O principal produto dessas lojas é o delicioso queijo minas. Há diferentes tipos e marcas do queijo minas, variando de R$14 a R$24 o quilo. Os mais comuns são o queijo minas padrão e o meio curado. O queijo minas padrão é branco-creme, mais leve, com buracos irregulares e levemente ácido. Já o queijo meio curado é mais amarelado e sabor mais intenso, lembra o queijo prato, a massa é mais macia e tem um teor de gordura maior. Também há o queijo frescal que é um queijo fresco e mais light, de massa crua e de validade menor, em torno de um mês. Mas, nem só de queijo minas vive essas lojas, elas também vendem outros tipos de queijo como requeijão, parmesão e provolone. Além, é claro dos doces! O doce de leite e a goiabada são os mais vendidos. Minas Gerais, terra do leite, tem tradição na produção de doces de leite. O doce de leite mais famoso é o Viçosa, que já ganhou vários prêmios e custa R$17 a lata de 800 gramas. Mas, há outros tipos de doces de leite, os vendidos a granel são os que tem os melhores preços. Também há os doces de leite misturados com algum outro produto, como: chocolate, maracujá, coco, morango, ameixa (meu preferido), entre outros. Já a goiabada preferia é do tipo cascão, que é mais consistente que a goiabada comum, e tem esse nome devido ao uso de pedaços de cascas da goiaba. Pode experimentar e você verá que a goiabada cascão é bem melhor que essas goiabadas industrializadas que vendem em supermercados.

queijo

De tudo um pouco

O Mercado vende vários produtos, de tudo um pouco. Carnes é um dos itens mais vendidos, há vários açougues e algumas peixarias. Carnes de porco, boi e frango são as principais, mas também há carnes exóticas, como pato, cabrito, capivara, entre outras.

Outro item muito buscado no mercado são os temperos. Há várias lojas que vendem temperos, como açafrão, orégano, chimichurri e até alguns mais exóticos como semente de papola. Também há lojas especializadas em pimenta, que vendem tanto os produtos in natura como em molho. Essas lojas são o paraíso dos fotógrafos, pois as imagens das formas e cores das pimentas e dos vidros de pimenta são muito interessantes!

Também é possível encontrar frutas. Antigamente, esse tipo de produto era um dos principais do mercado, mas, hoje em dia, sobraram poucas lojas. Apesar de venderem frutas muito bonitas, os preços são mais altos que em supermercados e sacolões. Também são vendidos frutas em pedaços, prontas para serem consumidas. Faz parte do passeio no mercado, comer um pedaço de abacaxi ou melancia. Cada pedaço custa R$2 e as frutas são geladas e deliciosas! Em volta do elevador, é o local que se concentra as lojas que vendem as frutas em pedaços. Não deixe de comer!

Artesanato é outro produto que se encontra no Mercado. Há algumas lojas desse ramo, que possuem alguns produtos interessantes. Porém, o mercado não é o lugar mais indicado para se comprar esse tipo de produto. A Feira de Artesanato, conhecida como Feira Hippie, que acontece aos domingos na avenida Afonso Pena é o melhor lugar, pois tem uma grande variedade de itens e de expositores.

abacaxi

Bares

O Mercado Central possui vários bares. Na maioria deles não há mesas, nem cadeiras e as pessoas bebem em pé. Há pouco tempo atrás os bares eram botecos simples, dos que chamamos em Minas de “copo sujo”. Porém, os bares foram se modernizando e alguns já melhoraram muito o nível. Os principais bares do mercado são: Bar da Loira, Bar da Tia e Rei do Torresmo. Os principais tira-gosto dos bares são a carne de porco com jiló e o fígado de boi.

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Cachaça

Minas Gerais é famosa pela produção de cachaças, há centenas de alambiques espalhados pelo estado. E o mercado é um ótimo lugar para comprar esse tipo de bebida. Há algumas lojas especializadas na venda de cachaça. Uma delas é a AJR Cachaças, que possui 800 marcas de cachaças, que variam de R$9,90 a R$430,00 a garrafa. Normalmente, essas lojas vendem mais caro que os supermercados, mas eles podem te dar uma boa explicação das diferenças das cachaças, além de ter uma variedade muito maior. Nos supermercados não há mais do que 15 tipos de cachaças.

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Horário de funcionamento

Segunda-feira a sábado – 7h às 18h

Domingos e feridos – 7h às 13h

Dicas

  • Pesquise antes de comprar, pois os preços podem variar bastante entre as lojas.

  • Os dias mais cheios são sexta, sábado e domingo. Se quiser tranquilidade e corredores vazios, fuja desses dias. Se esses dias forem antes de datas comemorativas como páscoa e natal, o mercado estará ainda mais cheio.

  • Se quiser ir aos bares, os finais de semana podem ser boas opções. Pois são os dias que os bares tem mais vida. Durante a semana, eles ficam meio vazios.

  • O banheiro do mercado é pago, custa R$0,50 e nem sempre é limpo.

  • O estacionamento possui 400 vagas e custa R$10 a hora.


Felipe Zig

Felipe Zig é jornalista, fotógrafo e apaixonado por viajar. Depois de conhecer mais de 20 países, decidiu criar o blog “Abrace o Mundo” para dar dicas de viagens e incentivar outras pessoas a viajar.

  • Ju Sorisso, quanto tempo! Saudades de você! Que interessante que nós nos reencontramos, mesmo que virtualmente, no meu blog. Continue lendo que sempre há matérias interessantes! bjus

  • JJuliana Gomes

    Felipão! Que grata surpresa ver seu nome ao final do texto!!! Sucesso p vc!
    Bjus Ju Sorriso

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