Foto: undeklinable (CC BY-SA 2.0) Egito

O Egito Antigo é cheio de histórias, lendas e fantasias. Quem nunca se interessou em saber mais sobre a história dos faraós e como vivia essa antiga civilização? O que pouca gente sabe é que Cairo não é a cidade com mais ruínas, templos e sítios arqueológicos no Egito, mas sim Luxor!

Cairo, no norte do Egito, é o local onde estão as famosas Pirâmides de Gizé e as pirâmides em degraus de Saqqara. Entretanto, todas as demais atrações do Egito Antigo ficam no sul do país; sendo Luxor, o coração do Egito Antigo!

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Tebas, a antiga capital do Egito

Luxor é a principal atração para quem busca conhecer o Egito Antigo, porque a cidade foi a capital do império egípcio. Esse período faraônico é dividido em três partes ou Impérios: Antigo, Médio e Novo. No Império Antigo a capital era Memphis, próxima a Cairo, época em que foram construídas as pirâmides. O Império Médio foi um período de crise e instabilidade. No final desse período, a capital foi transferida para Tebas, hoje Luxor, no sul do país. O Império Novo é o período de maior prosperidade do Egito, época em que mais se construíram templos e que os limites geográficos do império mais se expandiram. É também dessa época os faraós mais famosos da história: Tutankhamon, Seth e Ramsés. Como nesse período a capital do Império era Tebas, ela se tornou o centro político, econômico e religioso da região, onde se localizavam os principais templos do império e as tumbas dos faraós.

Busto de Ramsés II no Templo de Luxor

Busto de Ramsés II no Templo de Luxor

Além disso, como Luxor fica no sul do Egito, região de menor desenvolvimento econômico e menos povoada, pode se preservar melhor os sítios arqueológicos. Ao contrário da região metropolitana de Cairo, parte mais rica e populosa do país, que cresceu muito no último século e avançou sobre vários sítios arqueológicos. Da antiga capital Memphis não sobrou nada!

Cidade cheia de história

Viajar para o Egito e não visitar Luxor não tem graça. Apesar da atração que mais chama a atenção do país ser as pirâmides, é em Luxor que você sentirá o que foi o Império Egípcio e poderá visitar os grandes templos e mausoléus dos faraós.

Templos

O maior templo de todo o Egito Antigo e que foi por muito tempo o maior do mundo é o Templo de Karnak. Na verdade, não era apenas um templo, mas um grande complexo de vários santuários e prédios administrativos com uma área de 1,5 x 0,8 km. Hoje, sobrou apenas uma parte que está em ruínas, mas está sendo restaurada.

Karnak não chega a ser um templo bonito, mas possui algumas partes grandiosas como o Grande Salão de Amón-Rá com impressionantes pilares volumosos.

colunas do Templo de Karnak

Templo de Karnak

Outro templo que se parece um pouco com Karnak, mas é de tamanho bem menor, é o Templo de Luxor, que inclusive deu nome a cidade. Entre os dois templos existia uma grande avenida de esfinges de 2,7 km de comprimento e 70 metros de largura. Atualmente, sobrou apenas uma pequena parte da avenida que se encontra próxima ao Templo de Luxor.

Avenida de esfinges e Templo de Luxor

Avenida de esfinges com o Templo de Luxor ao fundo – Foto: Carlos Bustamante (CC BY-NC-ND 2.0)

estátuas de ramses Templo de Luxor

Templo de Luxor

West Bank

Luxor é dividida em duas partes: o lado a oeste e a leste do Rio Nilo. No Egito Antigo, a margem leste era reservada aos vivos, onde ficavam os templos e as casas dos moradores. Já, o lado oeste (west) era reservada aos mortos, por isso era o local onde havia as tumbas. E o local mais importante era o Vale dos Reis, onde ficavam as tumbas dos faraós. Além disso, também há o Templo da Rainha Hatshepsut, que é o mais preservado e bonito de Luxor.

Templo da Rainha Hatshepsut luxor

Templo da Rainha Hatshepsut

Cidade feia e suja

Depois de falar de todas os maravilhosos sítios arqueológicos de Luxor, vou falar agora sobre a cidade propriamente dita. Luxor é uma cidade feia e suja. A cidade parece meio largada, com lixo na rua e muitas calçadas irregulares. A única parte bonita da cidade é o calçadão na beira do Rio Nilo. Esse é um lugar muito bonito e bem cuidado. O único problema são as pessoas lhe oferecendo serviços, o que acaba deixando o passeio desagradável.

ruas movimentadas do egito

Avenida em Luxor – Foto: Dennis S. Hurd (CC BY-NC-ND 2.0)

Outro problema da cidade é que o poder público por muito tempo deixou construir prédios e casas muito próximos aos sítios arqueológicos. Há inclusive construções grandes. Isso tira um pouco o encanto do local. O templo de Luxor é o maior exemplo disso, pois ao lado do templo, a apenas 40 metros, existem vários prédios e hotéis, de até seis andares.

Hoje, o governo tenta tirar os prédios de locais que podem estar em cima de vestígios arqueológicos, como a Avenida das Esfinges. Mas, essa não é uma tarefa fácil! Nos últimos anos, foram retiradas todas as casas que estavam sobre o Vale dos Nobres em West Bank; desde então foram feitos trabalhos arqueológicos e foram encontrados algumas tumbas no local.

Vale dos Nobres, West Bank Luxor

Vale dos Nobres, West Bank Luxor – Foto: Rüdiger Stehn (CC BY-SA 2.0)

Calor

Um outro problema do sul do Egito é o calor! Cairo, que está no norte do país, possui um clima ameno e inclusive faz frio em uma parte do ano. Porém, o sul do país é quente o ano inteiro. No verão, as temperaturas passam de 33ºC, podendo chegar aos 45°C. Por isso, o verão é a baixa temporada, porque ninguém consegue ficar andando sob o sol nessa época do ano. Mesmo no outono e primavera, época que viajei, o calor é bem intenso. Então, é aconselhável fazer visitas em locais abertos no começo ou no final do dia. E é claro, passar bastante protetor solar e usar chapéu ou boné.

O inverno é a alta temporada, época em que a temperatura está mais agradável, em torno de 18°C.

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Foto de capa, Templo de Luxor: undeklinable (CC BY-SA 2.0)

Felipe Zig

Felipe Zig é jornalista, fotógrafo e apaixonado por viajar. Depois de conhecer mais de 20 países, decidiu criar o blog “Abrace o Mundo” para dar dicas de viagens e incentivar outras pessoas a viajar.

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